Com a recente onda do funk encabeçada pelo MC Serginho Créu (cuja alcunha derivada de seu principal hit), ocorre um engraçado fenômeno, o surgimento das “mulheres-fruta”, estas dançarinas do supracitado ritmo musical.
A primeira das “mulheres-fruta” foi a mulher melancia, doravante garota melancia, (pois esta alterou seu apelido com receio que MC Créu tomasse medidas judiciais pedindo indenizações sobre o uso dele), seu nome é uma alusão ao grande volume glúteo desta senhorita. Posteriormente, o mesmo cantor funk apelidou sua outra dançarina de mulher jaca, devendo ao grande tônus da área glútea desta (segundo ele, é o bumbum mais durinho do Brasil). Depois ainda surgiram a Mulher moranguinho e mulher-filé (esta não derivando de uma fruta, mas no mesmo contexto). Daí surgiu a polêmica sobre qual dessas frutas seria a mais gostosa.
Esta polêmica reacendeu toda uma discussão das mais fúteis e dispensáveis para o bom andamento da sociedade, que contudo, vem sendo bastante noticiada pela mídia especializada: O excessivo valor da estética e da boa aparência.
É lastimável toda essa repercussão dada a este tipo de imbróglio, pois, isto cada vez mais se insere no contexto das mulheres-objeto, onde todas essas senhoritas são vistas apenas como um parâmetro-objetivo de beleza para as mulheres, e para o deleite e enlouquecimento da platéia masculina que “uiva” de contentamento (no melhor estilo do Lobo Slick, para quem não se lembra, o rival de Droopy, nos bons tempos onde Tex Avery ainda dirigia e produzia desenhos animados, que costumava se manifestar desse jeito (aos uivos) quando via uma bela mulher, que na maioria das vezes estava sobre um palco, assim como as referidas dançarinas).
Esta situação gera mais insegurança nas, já bastante inseguras, mulheres, que passam a ter como norte atingir a “beleza” e a “sensualidade” dessas “mulheres-fruta”. Isto é muito semelhante ao que ocorreu no chamado “boom” do Axé, onde uma série de bandas musicais deste ritmo surgiram nos grandes centros do sudeste com músicas dançantes e dançarinas semi-nuas.
Não proponho a desconsideração da beleza das mulheres, pois esta como diria Vinícius de Morais é fundamental; contudo proponho uma nova ótica sobre mulheres, onde não se avalie apenas superficialmente quão bonita ela é, mas que se analise (ou volte a analisar) a mulher como ela deve ser observada com carinho e respeito, e não apenas com um objeto do deleite dos homens. Elas não merecem ser vistas como objeto.
Um comentário:
O Gil tem uma música que completa bem o que vc disse
Os pais os pais
Estão preocupados demais
Com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narco-marginais!
Ou então na mão dos molestadores sexuais
E no entanto ao mesmo tempo são a favor das liberdades atuais!
Por isso não acham nada demais
Na semi-nudez de todos os carnavais
E na beleza estonteante e tão natural
Da moça que expressa no andar provocante
A força ondulante da sua moral
Amor flutuante acima do bem e do mal
Os pais os pais
Estão preocupados demais
Com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narco-marginais!
Ou então na mão dos molestadores sexuais
E no entanto ao mesmo tempo são a favor das liberdades atuais!
Por isso não podem fugir do problema
Maior liberdade ou maior repressão
Dilema central dessa tal de civilização
Aqui no Brasil sob o sol de Ipanema
Na tela do cinema transcendental
Mantem-se a moral por um fio
Um fio dental!
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