“The past is a gaping hole, you try to run from it, but the more you run, the deeper it grows behind you, its edges yawning at your heels. Your only chance is to turn around and face it. But it's like looking down into the grave of your love, or kissing the mouth of a gun, a bullet trembling in its dark nest, ready to blow your head off.
There are no choices. Nothing but a straight line. The illusion comes afterwards, when you ask 'Why me?' and 'What if?'. When you look back and see the branches, like a pruned bonsai tree, or forked lightning. If you had done something differently, it wouldn't be you, it would be someone else looking back, asking a different set of questions.” (Max Payne)
“Mamma said you gotta' put the past behind you before you can move on.” (Forrest Gump)
Eis duas frases (ou pensamentos) que sintetizam duas concepções filosóficas completamente diferentes acerca do passado. A primeira é do jogo de computador Max Payne 2: The fall of Max Payne e a segunda é o premiado filme Forrest Gump.
As concepções mostram com bastante argúcia o temperamento de seus prolatores: Max Payne é um homem amargurado que enfrenta constantemente os problemas de seu passado, notadamente os assassinatos de sua esposa e de sua filha, para ele, o passado é algo do qual ele não consegue se desvencilhar, e ele pensa que a única chance de lidar com o passado é o encarando de frente, conforme ele várias vezes fala no game. Uma curiosidade quanto a isso é que ele mesmo não consegue lidar com passado, visto que em ambos os jogos da série, ele sofre de pesadelos (no primeiro, estes são “jogados”; no segundo, ele comenta dos vários pesadelos que tem com a esposa, não obstante os pesadelos que são “jogados” e não tem a ver, diretamente, com a morte de sua esposa) onde o passado volta a sua mente e atormenta a sua vida. Sua visão denota uma concepção depressiva da vida, onde é sempre doloroso esse exercício (de olhar para o passado), o que não é de se espantar visto os graves traumas que ele sofreu. Para ele, o passado traz sempre uma mensagem ruim.
Já a de Forrest Gump, nos mostra que para se viver bem deve se esquecer o passado, não guardar mágoas e seguir em frente, pois a só assim ele conseguirá viver. Forrest é um indivíduo que deixa a vida seguir, não obstante ter sempre sido considerado um “idiota” (“stupid”) e muitas vezes ter sido maltratado pelas pessoas, e também pelo fato de ele mesmo nunca ter dado muita relevância aos acontecimentos notórios que ocorriam com ele (notadamente, ter conhecido 3 presidentes, ter sido um herói de guerra, ter conhecido John Lennon, ter sido campeão de ping-pong e ser multimilionário), ele sempre lidava com estes acontecimentos com bastante humildade e dava sempre valor somente às verdadeiras amizades (como Bubba e o Tenente Dan Taylor), à sua mãe e principalmente a Jenny, o amor de sua vida, (esta que sempre o abandonou e que só passou a ficar com ele quando soube que tinha uma doença incurável para ter os seus cuidados), como é marcante na grande corrida que Forrest executou através dos EUA, onde ele mesmo dizia que só pensava nas pessoas ora referidas. Para Forrest, o passado não importava, ele só tinha que seguir em frente (o que pode parecer paradoxal visto que o filme sempre se refere a acontecimentos passados, mas, no entanto, não é; estes acontecimentos ocorriam e Forrest não dava muita importância, talvez pelo seu jeito peculiar de encarar as coisas, talvez pela sua lentidão de raciocínio...) e viver.
Forrest apesar de sempre ter sofrido graves problemas de aceitação em relação à comunidade que vivia, acabava por cativar as pessoas que tinham mais contato com ele, pois apesar de suas limitações, ele sempre conseguia seguir em frente com a sua vida (e não se gabava por isso; talvez esta seja a grande lição do filme). Então, talvez o Detetive Payne tenha que aprender um pouco com Forrest sobre como não deixar o passado ser o guia de seus passos, assim ele poderia viver melhor.
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